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Inovação Tecnológica: O Futuro dos Data Centers

30 Novembro, 2016

No contexto da evolução tecnológica que vivemos, a palavra de ordem é “mais”: mais armazenamento, de mais informação e acessível mais rapidamente.

De acordo com a Cisco Global Cloud Index, o tráfego mundial de informação em data centers irá aumentar três vezes mais até 2017.

Para muitas empresas, o armazenamento de dados é uma das áreas que muito tem aumentado a nível de necessidades de orçamento. Muitas também já decidem enveredar pelo armazenamento em cloud e optam por formas mais inovadoras de guardarem e utilizarem os seus dados.

Foi à luz desta tendência que a Portugal Telecom decidiu inaugurar na Covilhã aquele que é o maior data center da Europa e um dos mais eficientes e ecológicos do mundo.

Sendo um dos maiores investimentos alguma vez realizados na Beira Interior, as expectativas são altas. Todos aguardam pelos resultados positivos que o “cubo gigante” vai trazer para a região. Mas apesar do investimento de 90 milhões de euros, o novo data center está longe de estar lotado. A PT já celebra contratos com mais de 180 clientes, mas afirma ainda não estar satisfeita – o objetivo é ser líder neste mercado. A PT arrisca-se agora a perder o fundo comunitário da União Europeia, já que Bruxelas começou a questionar a viabilidade económica deste centro de dados.


MEO Data Center
 

Será que existem outras formas de tornar Portugal competitivo neste mercado?

Grandes nomes do mundo da tecnologia já se aventuraram em algumas inovações neste setor. Vejamos algumas novidades incríveis que estão a surgir no mundo dos data centers:

Armazenamento subaquático

Colocar um centro de dados no fundo do mar pode parecer absurdo, mas é exatamente o que a Microsoft está a fazer. A empresa defende: “50% da população vive ao pé da costa – porque não os nossos dados?”.

No ano passado, a Microsoft testou um projeto pioneiro e mergulhou uma pequena estrutura subaquática de servidores junto da costa da Califórnia. Porquê? Em primeiro lugar, porque a temperatura fria do fundo do oceano mantêm os servidores naturalmente refrigerados (sem precisar de ar condicionado). Por outro lado, porque é a força das ondas que gera a energia necessária para manter o data center a funcionar. E mais, com o data center mais próximo da população, a rapidez de resposta das aplicações cloud é muito maior comparativamente aos atuais servidores fixados em locais remotos. Como fazer engenheiros informáticos mergulhar até 10 metros de profundidade não é uma opção, o objetivo é fazer com que os servidores se mantenham 5 anos submersos sem necessidade de manutenção para que esta opção seja viável.


Underwater DataCenter
 

Data Centers “inteligentes”

Outro exemplo é a Google, que tem utilizado inteligência artificial para diminuir o consumo de energia e tornar os seus data centers mais amigos do ambiente. Como? A tecnologia passa pela auto-aprendizagem dos equipamentos, que conseguem prever a temperatura exata que os servidores vão atingir na hora seguinte, permitindo aos sistemas de refrigeração operar apenas até os servidores atingirem a temperatura ideal naquele momento. Isto significa uma diminuição da utilização dos sistemas de refrigeração até 40%, afirma a empresa.


DataCenter
 

Dados a pairar na órbita da Terra

Várias startups tecnológicas querem levar os nossos dados além das fronteiras da Terra, revolucionando a forma como armazenamos, transmitimos e analisamos a informação.

Colocar servidores no espaço pode resolver o problema dos enormes gastos energéticos dos centros de dados tradicionais: a forte radiação solar neste local tem a capacidade de gerar energia suficiente para manter os equipamentos a funcionar. E o frio extremo que se faz sentir no espaço significa que os servidores podem funcionar mais rapidamente sem risco de sobreaquecimento.

Com o custo atual de lançar um satélite para o espaço, todos estes benefícios podem ainda parecer irrelevantes. Mas felizmente para nós, os satélites estão a tornar-se cada vez mais pequenos e baratos, o que pode levar a que vejamos servidores na órbita da Terra já em 2019.

E para Portugal, que futuro?

No contexto europeu, é sabido que os “países nórdicos” são o local de excelência para a construção de data centers devido aos baixos custos energéticos e poucas despesas com o arrefecimento de hardware. Também é certo que poucos são os sítios em Portugal onde faz frio todo o ano e o custo da energia aqui ainda é bastante superior a outros países da Europa.

Se não conseguimos competir nesses domínios, será que temos outras características que nos podem abrir novas portas neste mercado?

Com uma linha costeira de 3000 km e quase 300 dias de sol por ano, é muito provável que o próximo passo neste mercado se apoie nos recursos hídricos e energia solar que Portugal tem para oferecer.

Num setor que evolui a cada dia que passa, a aposta na inovação poderá ser a única forma de pôr Portugal no mapa mundial do armazenamento de dados.