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A Inteligência Emocional na era da Inteligência Artificial

6 Março, 2017

É emocionante e, ao mesmo tempo, assustador pensar de que forma a Inteligência Artificial vai mudar as nossas vidas. É certo que trará inúmeros benefícios mas também é preciso pensar em todas as consequências sociais que este fenómeno vai implicar, principalmente no mundo do trabalho.

A Inteligência Artificial não irá apenas “roubar” o emprego a trabalhadores de fábrica e camionistas. Mesmo as profissões que nunca imaginámos sem a presença de um ser humano – médicos, professores ou consultores – vão sofrer grandes mudanças no futuro.

É fácil perceber o papel que a Inteligência Artificial irá ter em tarefas mais simples, como na recolha e análise de dados. Mas o seu potencial vai muito além disso: as pessoas são inevitavelmente tendenciosas e tomam decisões com base no seu pequeno conjunto de experiências e opiniões. Um computador não: tem acesso a quantidades incríveis de informação que processa e analisa rapidamente.

Quem acredita que nunca iremos confiar nas máquinas para tomar decisões importantes, vive no século passado. Muitos computadores já resolvem casos médicos difíceis de diagnosticar, por exemplo.

À medida que os computadores entram em cena e começam a executar muitas das nossas tarefas, teremos de desenvolver novas capacidades que realmente nos diferenciem dos outros e dos computadores.. Mas quais? E como?

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Desenvolver a nossa Inteligência Emocional

Mas o que é ser emocionalmente inteligente? Todos os espaços de trabalho possuem pessoas diferentes, com características e emoções diferentes. Ser emocionalmente inteligente significa saber identificar e gerir, tanto as nossas emoções como as dos outros à nossa volta.

A inteligência emocional é hoje mais importante que nunca e será fundamental para que tenhamos sucesso no futuro das “máquinas”.  Claro que isto são boas notícias para quem já tem um EQ (Emotional Quotient) elevado. Mas será possível desenvolver as nossas skills inter-pessoais?

Desenvolver a nossa inteligência emocional pode levar tempo e exige alguma dedicação, mas é perfeitamente possível. Para isso, damos-te algumas dicas para começares a pôr em prática agora mesmo:

Torna-te mais auto-consciente. Isto significa ser capaz de compreender e interpretar os nossos estados de espírito e como eles afetam as pessoas à nossa volta. “Como é que os outros se vão sentir se eu fizer isto?” é uma pergunta importante. Aqui importa identificar as nossas emoções negativas mais comuns (como a frustração, a raiva, a desmotivação) e perceber que situações as desencadeiam para as podermos evitar.

Desenvolve o teu auto-controlo. Tenta entender como te comportas em situações de stress. A capacidade de controlar comportamentos impulsivos e manter-se calmo é muito valorizado no mundo do trabalho. O melhor é tentar afastar-se de dramas e conflitos que possam desencadear comportamentos negativos. E se isso não for possível, um bom conselho é esperar algumas horas ou dias antes de reagir a uma situação emocionalmente difícil. Também é importante encontrar formas de lidar com este stress fora do trabalho, através do exercício ou com outros hobbies e interesses que funcionem como um “escape”.

Aprende a interpretar as emoções dos outros. É importante que te coloques no lugar dos outros e mostrar-lhes que compreendes a sua perspectiva. Mantêm uma mente aberta e evita estereótipos ou conclusões precipitadas. Quando as pessoas se sentem ouvidas, têm mais tendência para colaborar e fazer cedências.

Melhora as tuas “skills” sociais. Isto significa ter a capacidade de gerir relações e construir uma rede de contactos. Uma das melhores formas de ser um bom comunicador é saber ouvir, colocar questões pertinentes e fornecer informação de forma breve e clara. Torna-te a pessoa a quem todos recorrem para encontrar soluções e resolver conflitos e rapidamente tornar-te-ás num elemento essencial para a equipa.

A humanização da Inteligência Artificial

São as nossas competências mais “humanas” que vão ter lugar de destaque nos próximos tempos. Qualidades como a persuasão, criatividade, empatia e consciência social vão ser o nosso fator de diferenciação em relação às máquinas – pelo menos por enquanto.

Será que os computadores vão parar por aqui?

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Plataformas digitais como a Amazon Mechanical Turk dão a oportunidade às empresas de publicar pequenas tarefas/trabalhos no website onde qualquer pessoa pode completá-las em troca de alguns cêntimos ou dólares.

Há mais de 500.000 “Turkers” espalhados por todo o mundo. São estas pessoas que fazem parte da força de trabalho “invisível” que desempenha um papel fundamental em treinar as máquinas inteligentes. Como? Completando tarefas que são fáceis para qualquer ser humano, mas difíceis para um computador – como identificar um rosto feliz ou assustado. Estes sistemas inteligentes estão a ser treinados para fazer coisas que até agora pensámos serem demasiado complexas para qualquer computador, como identificar emoções nos humanos.

Já não estamos longe de ver um “computador emocional”. Já existem cientistas a trabalhar em computadores capazes de pensar e sentir – não através de programação ou aprendizagem repetitiva – mas como um cérebro humano.

A era dos robots e da inteligência artificial é inevitável. A boa notícia é que outra vantagem do ser humano é a capacidade de mudar. Iremos adaptar-nos e tirar o máximo partido desta nova realidade no futuro. Até porque não temos outra opção.